Os insubstituíveis - JQM

 

 

 

 

O Benfica deixou que a nova época começasse sem acautelar a rendição de dois dos seus melhores elementos da época transacta.

Nem sempre os grandes jogadores se tornam insubstituíveis, mas para as saídas de Ramires e Di Maria o Benfica tardou tanto a encontrar substitutos à altura, que transformou o que podia ser uma evolução natural num enorme problema, reflectido em resultados negativos e exibições pouco convincentes.

 

O argentino era um jogador destinado ao mercado e a sua saída devia ter sido acautelada durante a época passada - estando por perceber se era esse o objectivo pretendido com a contratação de Gaitán, cuja ambientação tem sido lenta. Quanto a Ramires, não detendo a totalidade do seu passe e tratando-se de outro valor emergente no Mundial da África do Sul, a estranheza pela falta de «cobertura» à saída é ainda maior.

 

Jorge Jesus e os seus directores terão pensado que o Benfica possuía valores substantivos no plantel, apontando a um reforço da confiança em jogadores de nacionalidade portuguesa, como Ruben Amorim ou Carlos Martins, sem esquecer César Peixoto. Mas bastaram três ou quatro partidas, em particular as oficiais, para uma conclusão óbvia: nenhum destes elementos tem idêntica capacidade de influenciar e decidir jogos, de tão inferiores em capacidade física, velocidade, inteligência táctica, talento ou dimensão internacional.

 

O Benfica deixou que a nova época começasse sem acautelar as saídas de dois dos seus melhores elementos da época transacta, a par de Fábio Coentrão, David Luiz, Luisão, Saviola e Cardozo. Deixou que o nível global da equipa baixasse significativamente - e disso falam os resultados, as derrotas e os problemas de concretização.

 

Anda agora a SAD encarnada numa roda-viva em busca de extremos de qualidade, dispensados de clubes europeus, capazes de pegar de estaca na equipa. A tensão sobre os vindouros e as inevitáveis comparações com os ausentes vão complicar imenso no imediato ou mesmo a médio prazo. É por isso que Ramires e Di Maria assumem esse cariz de «insubstituíveis», com todos os custos inerentes, colocando Jorge Jesus numa corrida contra o tempo e contra a lógica. 

 

PRESENTES EM 1/3 DOS JOGOS DO BENFICA CAMPEÃO

 

Di Maria e Ramires tiveram participação directa em um terço (24 de 78) dos golos do último campeonato, reflectindo a acção permanente no jogo nas médias altíssimas de ataques e cruzamentos. Os dois juntos chegaram a ultrapassar os 20 ataques conduzidos em algumas partidas.

 

COENTRÃO EM BOM CAMINHO

 

O único jogador do Benfica que mantém a forma da época passada deixou a sua marca ao fazer o cruzamento para o golo de Franco Jara, repetindo o que fizera há um ano com Weldon, quando começou a atrair as atenções de Jesus e dos benfiquistas.

 

Por:João Querido Manha, CM

GRANDE REMATE DE magalhaes-sad-slb às 15:57 | COMENTAR | favorito