«Não vejo razões para sair» - Saviola
Foi nos dias que se seguiram à conquista do título que A BOLA teve oportunidade de falar com Javier Saviola no recanto do seu lar, o Tejo como testemunha de uma conversa com um campeão na verdadeira acepção da palavra.
O sorriso rasgado de um jogador de bem consigo mesmo era sintomático, tal como a voz roufenha de tanto cantar vitória. Afinal, tivera nos últimos dias uma das «experiências mais marcantes» da sua carreira, pois nem na fervorosa Argentina viu um mar de gente tão imenso em celebração.
«Vi 40 a 50 mil pessoas em Buenos Aires quando fui campeão pelo River Plate, mas nada como o que aconteceu no centro de Lisboa. Falou-se em 200 mil e acredito, pois olhava para longe e continuava a ver gente. Incrível!», descreve, com um notório brilho no olhar. «Desde que cheguei ao Benfica comecei a perceber o benfiquista em si: a ansiedade que havia em festejar no fim. Foram maravilhosos ao longo da época e a equipa foi acompanhando esse enorme desejo de conquista. Andámos de mãos dadas com os adeptos na maneira de pensar», diz.
Os superlativos não terminam, nota-se que a excitação ainda domina o discurso: «Depois de ter estado num Campeonato do Mundo e ouvir dentro do campo o hino da Argentina, com todo um país a olhar para nós, os momentos de festa que vivi no Benfica foi a melhor experiência da minha carreira. Nunca vi tanto fervor e paixão por uma equipa.»
Chega o final da época e surgem sempre algumas dúvidas sobre o futuro dos jogadores mais influentes da equipa. No caso de Saviola, porém, o argentino diz que os benfiquistas não se devem preocupar quanto a uma eventual saída.
«Não vejo razões para sair. Sinto-me bem no Benfica e também acho que as pessoas estão satisfeitas com o meu trabalho. Quando digo que no final de uma época tudo se avalia é porque no futebol vive-se muito o presente e de um momento para o outro as coisas podem mudar. Mas gosto de estar cá e quero continuar», vincou.





